Relativismo e o seu “nada a ver”

Em muitas conversas entres jovens cristão sobre a Bíblia, santidade, pecado, cultura, música, etc, você ouvirá pelo menos uma vez a expressão “nada a ver”. Se você for mais conservador ouvirá isso várias vezes durante a vida. E o que um simples “nada a ver” pode fazer? Muito, principalmente pelo perigo que ele representa dentro da Igreja. A expressão em questão não passa de um apelido ou bordão maquiado para o relativismo. O nome pode parecer filosófico, mas tenho certeza de que você sabe do que estou falando. Quando falamos de relativismo estamos nos referindo ao conceito de que não existe uma verdade absoluta, mas vários conceitos e crenças que também são verdadeiras (pluralidade) e que se complementam e portanto nenhuma pode ser excluída, pois não existe o certo e o errado, portanto, todas devem ser incluídas em nosso sistema de vida e aceitas como verdades que convivem juntas em harmonia (inclusivismo). O discurso parece muito bonito a primeira vista, mas não é o que a Bíblia diz. Não é o que Cristo ensinou. E uma das principais armas do diabo contra a igreja desde século é o de fantasiar esse relativismo para que ele se passe pela graça de Deus.

O relativismo  se contradiz no contexto geral de vida e mundo. É claro que existem verdades absolutas que são verdades no mundo inteiro em qualquer cultura, mas não vou entrar nesse mérito. Vamos nos manter no cristianismo e no problema das nossas igrejas, principalmente entre os jovens. Os teólogos relativistas defendem que é papel da igreja de determinada época e local produzir ou definir sua própria teologia, cultura e modos de comportamento. Argumentam que a verdade não sendo absoluta em vários aspectos pode e deve se adaptar a épocas e lugares. E aqui permitam-me concordar em partes. Hoje no ocidente é muito difícil termos uma igreja que se comporte com a igreja primitiva em atos. Muito difícil termos uma igreja que se comporte com autoridade em relação ao Estado como em Genebra na época de Calvino. Um igreja no Brasil se reúne, se comporta e tem sua liturgia (ou modo) de culto diferente de uma igreja na China por exemplo. O relativismo não está aqui, apenas diferenças temporais e culturais. O importante é se reunir e comportar segundo as verdades absolutas descritas nas escrituras. E é nisso que o relativismo entra como arma diabólica contra a santidade da Igreja.

O mundo respira relativismo. Nossos colégios e faculdades respiram relativismo. Temos crescido numa atmosfera relativista que trata a verdade como algo definido por aspectos pessoais individuais, onde cada uma faz aquilo que acha que é certo. Isso tem dificultado demais nossa aceitação da Bíblia como verdade absoluta e única regra de fé do Cristão. Principalmente porque nossa própria crença já foi relativizada. Existem inúmeras correntes e denominações, como católicos romanos e protestantes, e temos aprendidos que não existe essa de certo e errado entre nós. Por isso digo que um muçulmano tem mais facilidade em aceitar o alcorão do que um cristão a Bíblia, pois o islamismo não é relativizado como o cristianismo foi ao longo do tempo. Enfim, a questão é que nós cremos na Bíblia como VERDADE ABSOLUTA e não podemos relativizar seu conteúdo de forma nenhuma. A bíblia não possui conselhos que podem ser assimilados como verdades ou não. A Bíblia é autoritativa e sua verdade não está na autoridade que quem lê ou interpreta, mas na autoridade daquele que escreveu, o próprio Deus!

O relativismo bíblico ou a síndrome do “nada a ver” tem destruído ou desconsiderado verdades bíblicas (absolutas lógico) para agradar a comunidade e a cultura da nossa época ou como os estudioso dizem, o nosso zeitgeist. Estamos relativizando verdades em relação ao evangelho, arrependimento, regeneração, conversão, salvação, santidade, missões, culto, disciplina, etc. E nisso tudo a santidade da igreja tem sido manchada. O ministério da reconciliação tem enfraquecido em várias comunidades e o evangelho tem sido diluído e seu poder de salvação escorrido pelas nossas mãos relativistas. 

Só existe salvação em Jesus? Nada a ver…

Só existe um caminho para Deus? Nada a ver…

Preciso de uma igreja local? Nada a ver…

Sexo só no casamento? Nada a ver…

Batalha espiritual e necessidade de oração? Nada a ver…

Não frequentar certos lugares e ouvir certas músicas? Nada a ver…

Homossexuais estão em pecado? Nada a ver…

A Bíblia não contém erros? Nada a ver…

Fugir da aparência do mal? Nada a ver…

Liderança, disciplina, batismo e ceia? Nada a ver…

Pornografia e masturbação? Nada a ver…

Inferno, julgamento e pecado? Nada a ver…

Amigos, pecado é pecado em qualquer época e em qualquer cultura. Mandamentos bíblicos são verdade em qualquer lugar. Autoridade, inferno, batalha espiritual, salvação somente em Jesus são verdades absolutas em qualquer lugar. A bíblia não é adaptável a novas culturas, elá é formadora de uma contracultura. A bíblia não inclui várias verdades, ela é a única verdade. O evangelho não é mais uma das verdades existentes, é a única. O evangelho não é mais um dos caminhos que levam a Deus, é o único. Relativizar as palavras de Deus é viver uma grande mentira. O nome do principal demônio que tem atacado nossa juventude cristã é o “nada a ver”. E é exatamente isso que você pode estar dizendo pra esse texto agora, infelizmente…

Na presença de tantas “verdades” e na ânsia de acreditarmos em tudo não temos acredito de verdade em nada. E isso tem matado igrejas, famílias e a sociedade em geral. A bíblia tem tudo a ver com Jesus e eu quero ter tudo a ver com ela!

Soli Deo Gloria!

*Continua amanhã…

2 respostas para “Relativismo e o seu “nada a ver””

  1. Matheus disse:

    Muito bom o texto. Da mesma forma que falam ” nada a ver” chamam os outros de ” religiosos”. A meu ver, já virou xingamento. Se a pessoa se levanta contra um louvor muito animado, ” aaahh nada a ver, isso é religiosidade. Cristo nos fez livres”. Se a pessoa sugere uma pregação mais exortativa, um prato cheio e não um leitinho, ” ahh nada haver, estamos adaptando a linguagem ao jovens”

    É curioso ver que as pessoas que falam ” nada a ver” estão mais ligadas a normas, usos e costumes do que as que são chamadas de ” religiosos”. Infelizmente esses costumes são os costumes do mundo, onde há a propagação da ídeia : ” Você pode fazer isso aqui também, Deus não te proíbe disso”. Com isso vamos introduzindo o mundo na igreja local, minimizando o poder da Palavra. Sempre teremos que promover algum evento, tornando-nos escravos de sempre ter que bolar um evento diferente que chame a atenção.

    A atração não é mais por sermos diferentes, como a igreja de Atos, não há o querer saber o que motiva esses jovens a se desfazerem de tantos prazeres mundanos. A suficiência de Cristo não está sendo mais suficiente. Estamos atraindo pelo oposto disso, estamos atraindo pela igualdade com o que há no mundo, sob o pretexto da graça de Deus.

    Esperando pela sequência do texto. Deus abençoe toda a equipe do blog para mais textos. O blog de vocês tem sido inspiração para mim e muito me ajuda.

  2. [...] verdade absoluta da revelação de Deus nas escrituras. Você pode ler o texto de quarta clicando AQUI. Peço perdão porque disse que este texto de hoje seria postado na quinta, mas não consegui. Bem, [...]

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